Quando o plano de saúde se recusa a cobrir atendimento após um acidente de trânsito
Se você chegou até aqui, provavelmente está passando por um momento muito difícil. Alguém que você ama — ou até você mesmo — sofreu um acidente, foi socorrido às pressas, e quando parecia que as coisas não podiam piorar… o plano de saúde negou o atendimento.
Nessa hora, vem o choque, a revolta, o medo. É como se jogassem a gente no meio de um campo de batalha, sem aviso. A sensação é de abandono, de injustiça. E o mais cruel: isso acontece justamente quando a gente mais precisa de acolhimento e socorro.
O que muitos planos não falam: eles devem, sim, cobrir atendimentos após acidentes de trânsito
É muito comum os planos de saúde alegarem que não são obrigados a cobrir situações de acidente, dizendo que isso seria responsabilidade do seguro de carro, do SUS ou de terceiros. Mas essa informação, do jeito que é passada, está errada ou incompleta.
Se o seu plano tem cobertura para atendimento de urgência e emergência — o que é padrão nos planos com internação, por exemplo — o acidente de trânsito entra, sim, nesse direito. Especialmente no momento imediato, em que a vida da pessoa está em risco ou há dores intensas, fraturas, hemorragias ou qualquer outro quadro grave.
Não importa se foi acidente de carro, moto, bicicleta ou atropelamento. O que importa é que houve uma situação de urgência – e o plano deve atender.
Se você paga por um plano, tem direito a atendimento adequado. Isso inclui:
- Atendimento de emergência nas primeiras 12 a 24 horas, no mínimo;
- Internações necessárias, incluindo UTI, se for o caso;
- Exames de imagem, como tomografia, raio-x ou ressonância, se forem fundamentais para o diagnóstico;
- Cirurgias, quando indicadas pelo médico como urgentes;
- Medicamentos necessários durante o atendimento hospitalar;
- Transporte para outro hospital, caso seja necessária a remoção para unidade credenciada.
O que você pode fazer agora, mesmo em meio ao caos
- Peça tudo por escrito: Caso a negativa tenha sido verbal, exija um documento com a justificativa da recusa. Isso será essencial mais adiante.
- Vá até a emergência mesmo assim: Se houver risco de vida ou urgência real, o hospital tem obrigação de atender, e o plano poderá ser acionado depois. Em alguns casos, o reembolso pode ser exigido posteriormente.
- Registre a negativa: Anote nome dos atendentes, protocolo, horário, tudo que puder documentar. Isso ajuda muito.
- Guarde comprovantes: Recebidos, exames, relatórios médicos, tudo que provar a urgência do caso e a recusa do plano.
- Procure ajuda especializada o quanto antes: Muitas medidas precisam ser tomadas rápido para garantir o tratamento e evitar agravamento do estado de saúde. Cada caso tem um caminho específico.
Fique atento a algumas armadilhas comuns:
- Planos que dizem que o atendimento é “só pelo SUS” em casos de acidente: isso não é justificativa válida se a situação for urgente.
- Negativas com base em “contrato”: nem tudo que está no contrato é legal. Muitas cláusulas abusivas existem e podem ser contestadas.
- Demora como forma indireta de recusa: ficar jogando a decisão de um lado pro outro enquanto o paciente aguarda também pode ser considerado negativa.
Você não está sozinho nessa. E não precisa aceitar calado.
Já vi muitas famílias passarem por isso e conseguirem reverter a situação. Às vezes, com um pedido firme. Outras, com medidas mais fortes. O importante é saber que existe caminho. Às vezes, a gente acha que está de mãos atadas, mas não está.
Se você está vivendo esse drama agora, tente respirar fundo. Guarde tudo o que puder (laudos, recibos, prescrições) e não hesite em buscar seus direitos. Isso não é favor do plano, é obrigação.
Mesmo em meio à dor e ao medo, há soluções. E, por mais difícil que pareça, vale a pena lutar para cuidar de quem você ama — ou de si mesmo — do jeito que merece.
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